Revista Eletrônica Musicaudio

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Ataque da Música Enlatada

The Jazz Singer (O Cantor de Jazz), lançado em 1927, foi o primeiro filme com som sincronizado. Utilizava o Vitaphone, um sistema baseado em um toca-discos que se acoplava no motor do projetor cinematográfico.
Até aquele momento, a ambientação sonora dos filmes era feita com músicos tocando ao vivo. Com a chegada do Vitaphone, tais músicos não eram mais necessários, e começaram a ser vistos como algo antigo e caduco. Diante disso, a Liga pela Defesa da Música teria algo a dizer.
Music Defense League foi uma organização criada pela Federação Americana de Músicos. Em 1930 lançaram uma campanha para combater o inevitável: o som gravado nos filmes. Chamavam de canned music (música enlatada).

Os anúncios na imprensa mostrava um robot malvado com dizeres "este robot não pode fazer música por si só, mas pode se apossar do esforço daqueles que podem. As boas maneiras nada significam para este monstro do industrialismo moderno".
Neste anúncio, o robot ataca uma alegoria da cultura musical, tentando desviar o seu rumo:
E aqui vemos o robot tocando sozinho por dinheiro e benefícios:
Era nestes termos que se expressava Joseph N. Weber, o presidente da Federação de Músicos, em Março de 1931:
Logo chegará o dia em que o único ser vivente em torno de um filme será a pessoa que lhe vende o ingresso. Drama enlatado, música enlatada, vaudeville enlatado. Acreditamos que o público se cansará da música mecânica e irá exigir o autêntico. Não somos contra o desenvolvimento científico, mas esse desenvolvimento não deve se dar às custas da arte. Não nos opomos ao progresso industrial. Nem sequer nos opomos à música mecânica, exceto quando esta é utilizada como um instrumento lucrativo para a degradação artística.
É claro que a história foi muito diferente. Embora as coisas tenham mudado muito para os músicos que acompanhavam a imagem dos filmes mudos, a chegada do som gravado e sincronizado não pressupôs nenhuma degradação da arte, e nem se fez às custas da arte.
Interessante, não? 
Mais anúncios como esses você encontra em blog Smithsonian.

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