Revista Eletrônica Musicaudio

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cinco razões para amar o Pro Tools e cinco para odiá-lo


Típica sesión de Pro ToolsEu uso Pro Tools. As circunstâncias me obrigam e tenho um Pro Tools HD sempre disposto. Não foi um caminho fácil. Comecei a usá-lo faz uns 11 anos, comecei na versão 5. A forma como me aproximei do Pro Tools foi através do infame Pro Tools Free. A Digidesign, agora Avid, estava consciente que a maioria das pessoas não podia possuir um caríssimo sistema TDM e lançou sua primeira versão nativa, que foi uma revolução. Mas o Pro Tools no ano de 2000 não era tão novo assim. Herdeiro do Sound Designer, um editor que nasceu para o Emulator II. Nos anos 80, a Digidesign apresentou o Sound Tools como um editor digital de UM só canal ou trilha. Era um equipamento caríssimo, de forma que existiam pessoas que iam no estúdio com um rack oferecendo  seus (caros) serviços de edição digital. Já em 1991, o Sound Tools passou a se chamar Pro Tools e integrar 4 assombrosas trilhas de edição digital a 16 bits e 44.1 Khz, e mais um sequenciador. Em 1997 deu um salto para os 24 bits e 48 Khz e, se converteu no padrão da industria com a introdução do seu sistema Pro Tools | 24 MIX em 98, com efeitos  DSP e com 64 vozes.

Muito longe de ser perfeito, o Pro tools Free de 2000, com 8 trilhas de áudio e suporte para MIDI e RTAS, permitiu a toda uma geração aprender os segredos de seu sistema às custas de um alto consumo de recursos e um manual com mais de mil páginas. Nesta época eu era usuário do Logic e Cubase no meu homestudio, e do Nuendo em um estúdio de um amigo meu, onde eu trabalhava gravando e mixando várias bandas. Infelizmente o Pro Tools Free estava muito longe do seu equivalente TDM e os projetos não eram compatíveis, o que o tornava um sistema fechado e pouco capaz.
Nessa época o uso de DSP era justificável: os sistemas nativos não permitiam o uso de plugins de alta qualidade em quantidades suficientes e o TDM prometia baixa latência e processos mais rápidos. Na prática era um pouco diferente: o uso de DSP não era muito otimizado e tínhamos que usar os plugins, o que fazia com que a performance de nossos sistemas caíssem consideravelmente. É dessa época que vem a utilização do famoso WaveShell da Waves, que dura até hoje, idealizado como um forma de manter o código DSP independente e otimizar o carregamento.
Com a troca do Pro Tools de TDM para HD, os recursos se multiplicaram e as limitações foram quase que todas eliminadas. Os custos, comparativamente, baixaram, mas sempre se manteve como um sistema fechado, de forma que somente se podia usar com as placas e sistemas recomendados, sendo tremendamente exigente com o hardware do computador.
Pressionada pelo grande avanço da Steinberg e Apple, a Avid, que comprara a Digidesign em 2005, reescreve desde o zero o Pro Tools e lança a primeira versão independente de hardware, modernizando o programa de forma muito substancial e, com a recente apresentação da nova geração HDX, dando-lhe um bom futuro.
A pergunta é: O Pro Tools, hoje em dia, é um padrão necessário? Existe algum sentido no uso de DSP com computadores cada vez mais rápidos e potentes? Para responder isso, faço uma lista, muito pessoal, de razões para amá-lo e odiá-lo:
Cinco razões para amar o Pro Tools:
  • Não existe estúdio que se preze no mundo que não possua alguma versão. Seus projetos são transportados com facilidade e permite exportar para versões anteriores sem traumas. Eu o utilizo constantemente por essa razão: quando transporto um projeto para outro estúdio (ou recebo), quero que tudo fique em seu lugar de origem. OMF e AAF às vezes dão problemas, dependendo do sistema e das características.
  • A interface e o fluxo de trabalho não foram em muito alterados desde a primeira versão. Foi projetado pensando em uma geração que estava vindo do mundo analógico e suas máquinas e conserva a maioria das funções nos mesmos lugares e com os mesmos atalhos de teclado. O uso de playlist é muito bom.
  • Tem a fama de ser muito estável. Isto certamente depende de qual versão e de quais circunstâncias, mas, a verdade, é que realmente ele é um dos programas mais estáveis.
  • No caso do TDM/HD, a Avid sempre tem grandes ofertas de atualização, recomprando o hardware e o software antigo, de forma que, depois de 10 anos de uso, pode ser atualizado para um sistema mais moderno por um menor custo.
  • Acompanha em forma de brinde um monte de interfaces de áudio da Avid, o que facilita a entrada de todos no mundo do Pro Tools.
Cinco razões para odiar o Pro Tools:
  • Apesar de ser ofertado com interfaces de áudio da Avid, é um sistema caro, e no caso de DSP, muito caro mesmo. Mesmo que a versão mais barata fique em torno de 400 dólares, tem limitações absurdas na quantidade de canais, envios, etc, que forçam a compra de ampliações. Recentemente fui para a versão HD porque a versão normal não suporta surround, função que todas as outras DAW tem. Além disso, a política de preços da Avid ficou maluca, pedindo aos seus próprios usuários somas enormes de dinheiro para atualizações de SOFTWARE.
  • As opções disponíveis e o fluxo de trabalho, especialmente para MIDI são, literalmente, do século passado. O Pro Tools 10 implementa em 2011 funções que o Nuendo já tinha em 2001 (de onde tiro a conclusão que: Pro Tools 10=Nuendo 2).
  • O suporte técnico é pago. Somente essa razão me faz pensar duas vezes. Possui um fórum muito bom, mas, se você quiser uma ajuda oficial, será necessário comprar tickets de suporte.
  • O ajuste automático da latência deixa muito a desejar nos sistemas HD. Isso limita seu uso com certos plugins e certas técnicas de compressão paralela.
  • Apesar do DSP cada vez mais ficar desnecessário no mundo do processamento de áudio, o Pro Tools está muito atrelado ao seu DSP e, especialmente, ao seu hardware de entrada e saída para que cheguemos a um resultado de alto nível.
Caso você tenha mais razões para odiar ou amar o Pro Tools, poste aqui.

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